Hoje em dia, com o advento de modernas técnicas cirúrgicas e anestésicas, a hérnia pode ser tratada em nível ambulatorial, o paciente não precisa ficar internado no hospital. A dor no período de recuperação é mínima, e, com o uso da videolaparoscopia são necessários apenas pequenos orifícios de cerca de menos de 1 cm. Através de um destes orifícios é introduzida uma ótica acoplada a uma micro câmera de alta resolução. Os médicos realizam a cirurgia utilizando micro instrumentos cirúrgicos introduzidos através dos outros dois orifícios. O retorno às atividades normais dos pacientes é extremamente reduzido quando comparados com a cirurgia convencional. Para a correção das hérnias são utilizadas telas sintéticas, inertes ao organismo humano, mas que fazem com que a região enfraquecida pela hérnia torne-se resistente. Esta técnica segue o princípio da cirurgia sem tensão nos tecidos, tension free, que é hoje considerado o “Gold Standard” (padrão ouro) no tratamento das hérnias.
Todos estes fatores, associados à grande experiência do Centro de Hérnia neste tipo de cirurgia, com treinamento em vários centros de referência internacionais, fazem deste um procedimento seguro e com um índice de recidiva (hérnia que volta) menor que 1%, resultado que só é atingido em poucos centros especializados no mundo.
Anestesia Venosa Total na Videolaparoscopia
TOTAL VENOUS ANESTHESIA IN AMBULATORIAL VIDEOLAPAROSCOPY
José Roberto Couto Barcelos Carlos **
Pablo Roberto Miguel, TCBC-RS *
Resumo
O desenvolvimento da cirurgia ambulatorial em larga escala e o advento da cirurgia videolaparoscópica foram algumas das mais importantes transformações no sistema de saúde durante a última década. Pacientes submetidos à cirurgia ambulatorial necessitam de uma técnica anestésica que permita rápida recuperação e, consequentemente, alta hospitalar precoce. Foram estudados 645 pacientes de ambos os sexos submetidos à cirurgia videolaparoscópica ambulatorial, utilizando-se como técnica anestésica a Anestesia Venosa Total (AVT), empregando-se propofol, atracurio e alfentanil, e tendo como objetivo avaliar a recuperação e o seu seguimento. Do total dos pacientes 300 eram do sexo masculino e 345 do sexo feminino. Dos 645 pacientes, apenas 40 tiveram que permanecer na sala de recuperação até o dia seguinte ou requereram baixa hospitalar por mais tempo. A baixa incidência de hospitalização se deve basicamente à técnica anestésica apropriada para o regime, tanto de cirurgia ambulatorial como para videolaparoscopia, tendo os pacientes uma recuperação rápida e com efeitos colaterais mínimos, sendo recomendada pelos autores.
Créditos
Unitermos: Anestesia venosa total; Videolaparoscopia; Cirurgia ambulatorial; Anestesia geral.
* Cirurgião do Hospital Mãe de Deus – Porto Alegre
** Médico Anestesiologista do Hospital Mãe de Deus – Porto Alegre
Recebido em 19/12/94 – Aceito para publicação em 25/05/95
Trabalho realizado no Serviço de Cirurgia Laparoscópica do Hospital Mãe de Deus – Porto Alegre
Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões — Vol. XXII – nº 5 – 263