# Exames Essenciais para o Diagnóstico do Refluxo | Dr. Pablo Miguel
Rua Costa, 30 - Conjunto 502
CEP 90110-270 - Porto Alegre - RS
Tel. (51) 3231-4407 ou 3230-2622 ou 9712-9953
Exames Essenciais para o Diagnóstico do Refluxo

Desenvolvendo o trabalho de avaliação da função esofágica desde dezembro de 1995, aUnidade de Motilidade Digestiva ultrapassou a marca de 2 mil pacientes na realização de pHmetrias e manometrias esofágicas, para avaliação da função.

Da experiência adquirida durante esse período, realizado em nível de excelência, selecionamos algumas dúvidas mais freqüentes e tentamos esclarecê-las de forma objetiva. Sem qualquer pretensão de atingir todas as interrogações sobre o assunto, esperamos sinceramente que seja útil de alguma forma e suscite outros esclarecimentos para os quais nos colocamos à disposição.
Dúvidas comuns na avaliação da função esofágica

1. Como é realizada a manometria esofágica?
O paciente em jejum é submetido a uma sondagem nasogástrica simples com o cateter de manometria com 5 canais, sem a necessidade de sedação, contando com mais atualizado software. Após as medidas serem tomadas, o cateter é retirado. Demora em média 30 minutos e oferece pouco desconforto.

2. Como é realizada a pHmetria de 24 horas?
O paciente em jejum é submetido a uma sondagem nasogástrica simples com o cateter de pHmetria com 2 canais, que tem aproximadamente 2mm de diâmetro, após localização manométrica do esfincter inferior. Permanece com o cateter conectado ao medidor até o dia seguinte, mantendo os hábitos alimentares e retornando ao serviço para a retirada.

3. Quando solicitar pHmetria esofágica de 24 horas?
Doença de Refluxo Gastroesofágico (DRGE) sem esofagite, avaliação pré-operatória da cirurgia anti-refluxo e sintomas atípicos de refluxo (tosse crônica, rouquidão, asma…).

4. Quais os possíveis resultados da pHmetria esofágica de 24 horas?
Presença de refluxo ácido patológico, ausência de de refluxo ácido patológico e associação de episódios de refluxo com sintomas do caso em estudo.

5. O que significa refluxo patológico?
O parâmetro mais usado atualmente é o indice de DeMeester > 14,72 (que representa o percentil 95 do referido escore).

6. É necessário pHmetria quando existe esofagite comprovada endoscopicamente?
Não. Para diagnóstico de Doença de Refluxo Gastroesofágico não é fundamental. Entretanto, nos casos de DRGE que serão encaminhdos à cirurgia, é importante, especialmente como parâmetro de averiguações pós-operatórias de recidiva sintomática.

7. Existe algum significado para a classificação do refluxo patológico entre supino e ortostático?
Alguns autores relacionam o caso de refluxo patológico supino com uma maior dificuldade no controle medicamentoso, já que nessa posição deveria haver mais inibição aos relachamentos transitórios do esfíncter inferior.

8. O que compõe o índice de DeMeester?
- no de episódios de refluxo
- no de refluxos maiores que cinco minutos
- refluxo mais longo em minutos
- % de tempo total de refluxo
- % de tempo de refluxo ortostático
- % de tempo total de refluxo supino

9. O que é considerado um episódeo de refluxo na pHmetria esofágica de 24 horas?
É uma queda brusca do pH abaixo de 4, com recuperação gradativa.

10. Quando solicitar manometria?
Em qualquer quadro clínico que possa envolver alterações da contratilidade do esôfago e de seus esfíncteres. Mais freqüentemente, refluxo gastroesofágico sintomático, dor torácica não cardíaca e disfagia não obstrutiva.

11. Como é distribuída a avaliação manométrica?
- Motilidade do Esfíncter Inferior do Esôfago (EIE)
- Motilidade do Corpo do Esôfago
- Motilidade do Esfíncter Supeior do Esôfago (ESE)

12. O que é importante no ESE?
- Pressão média
- Relaxamento e coordenação às contrações farígeas

13. O que é importante no corpo do esôfago?
- Amplitude das contrações
- Duração das contrações
- Progressão das contrações (presença de peristalse)

14. O que é importante no EIE?
- Pressão média
- Relachamento às deglutições
- Comprimento e localização (intra-abdominal ou torácica)

15. Qual é o significado da pressão média do esfincter inferior?
Seu significado é em geral superestimado, uma vez que a sua medida estácionária não leva em conta os relaxamentos transitórios anômalos, que são a principal e a maior causa da DRGE. O diagnóstico da DRGE pode ser encontrado em pacientes com esfíncteres inferiores hipotônicos, normotônicos e até hipertônicos. No entanto,quando é hipotônico (<14mmHg – método – Castell), sabe-se que haverá maior dificuldade com tratamento clínico.

16. A hipocontratilidade do corpo do esôfago contra-indica a cirurgia anti-refluxo?
Não. Uma vez que o médico assistente considere a necessidade de correção cirúrgica para DRGE devidamente diagnosticada, a hipocontratilidade não contra-indica a cirurgia de correção. Ela pode orientar o tipo de correção a ser realizada, desde que sem a ausência completa de progressão das contrações (peristaltismo), que é o caso d acalasia avançada.

17. O que é acalasia do esôfago?
Na acalasia o paciente pode ter refluxo patológico por deficiência de “clearence”, mas jamais deve ser submetido a uma fundoplicatura sem miotomia. Por isso, o diagnóstico de acalasia inicial deverá ser feito no primeiro exame. Diadnóstico manométrico: ausência do movimento peristáltico e relaxamento incompleto do esfíncter inferior.

18. O que é o esôfago em “quebra-nozes”?
Diagnóstico manométrico: média de amplitude das ondas no esôfago distal > 180mmHg e peristaltismo preservado.

19. O que é espasmo esofageano difuso?
Diagnóstico manométrico: contrações não peristálticas em mais de 10% das deglutições líquidas e períodos de peristalse normal.

20. O que é disturbio motor inespecífico?
Diagnóstico manométrico: redução da amplitude das ondas peristálticas, ondas com três picos, contrações síncronas em até 10% das deglutinações, contrações espontâneas e ondas isoladas de duração prolongada.

1- Referências: João B. Marchesini; Osvaldo Malafaia. Atheneu 1996. Doença do Refluxo Gastroesofágico

2 – Giuli R.; Galmiche J.; Jamieson G.G.;Scarpignato. The Esophagogastric Juction. O.E.S.O. Jonh Libbey Eurotext. Paris, 1998.


Supervisão Técnica: Dr. Pablo R. Miguel